Ficou devendo. Essa foi a impressão deixada pelo Riograndense na sua estréia na Série B do Gauchão 2008. O Periquito frustrou sua torcida ao ser derrotado ontem à tarde, em Júlio de Castilhos, pelo Milan, que volta a disputar a Segundona 12 anos após sua última participação.O resultado foi negativo, mas o que mais preocupou foi a baixa produtividade da equipe de Santa Maria, que não apresentou jogadas mais trabalhadas e mostrou muitas limitações. Hoje pela manhã, a diretoria do clube se reunirá para encontrar uma solução. A demissão do técnico César Fortes foi cogitada - ele foi alvo das críticas, junto com o goleiro Marcos.
- Não gostaria de me manifestar agora, mas o time realmente não foi bem - admitiu o supervisor de futebol do clube, Cláudio Pacheco.
- Sempre em cima de uma derrota, a gente faz uma análise precipitada. Ainda não estamos mudando nada. Vamos nos reunir amanhã (hoje) - disse a presidenta do Riograndense, Norma Rolim, enquanto jantava com a equipe em Val de Serra, no retorno a Santa Maria.
Essas declarações foram geradas pelo futebol (ou a falta dele) visto em campo. César Fortes armou seu time no esquema 3-5-2 e escalou entre os titulares o volante Sandro Palharini, que vinha atuando pelo São Luiz no Gauchão. Pois nem a qualidade de um atleta de Série A pôde ser conferida. Pouco acionado, Palharini foi um dos mais irritados ao deixar o gramado e não quis dar entrevista.
O gol do Milan sai bem cedo, aos oito minutos do primeiro tempo. Roni cobrou escanteio no segundo pau, e o goleiro Marcos espalmou uma investida da equipe da casa. No rebote, o atacante Filipe, o mesmo que defendeu o Riograndense no ano passado, marcou um belo gol de bicicleta, para delírio da torcida castilhense - cerca de mil pessoas assistiram à partida.
- Foi o gol do esforço, do empenho. Posso dizer que foi um gol de placa - definiu Filipe.
A equipe do técnico Valduíno Alves não demorou para ampliar o placar. O cronômetro marcava 12 minutos de jogo quando Cléber viu que o goleiro do Riograndense estava adiantado e mandou um chute de fora da área, de perna direita, fazendo 2 a 0.
Moreli - Enquanto isso, o time visitante só levava algum perigo em jogadas de bola parada. Numa delas, aos 26, o Periquito conseguiu descontar. Kadron cobrou falta pela esquerda em direção à área, e Moreli apareceu atrás da zaga adversária e, de cabeça, decretou o resultado de 2 a 1.
No segundo tempo, o técnico César Fortes promoveu a estréia do meia Márcio Machado, que entrou para a saída do zagueiro Miro e mudou o desenho tático do time. O 3-5-2 deu lugar ao 4-4-2, mas de nada adiantou. O Riograndense melhorou um pouco o posicionamento e foi para cima do adversário. Chegou a pressionar nos minutos finais, porém, mesmo cansado, o Milan segurou como pôde e garantiu sua primeira vitória no campeonato.
- Me sinto honrado. Gostei do time, da garra, ainda mais porque não temos recursos - declarou Liseu Pena, 45 anos, torcedor do Milan.
Para o time de Santa Maria, só restaram lamentações e esperança na evolução da equipe.
Ficha técnica:
Milan: Jocelito; Diego, Peretto, Adriano (Peter); Cléber, Denner, Sapinho, Toninho, Juarez; Roni (Percy), Filipe - Técnico: Valduíno Alves
Riograndense: Marcos; Miro (Márcio Machado), Moreli, Rafael; Kadron, Alexandre Veiga, Sandro Palharini, Luís Fernando, Xandi; João Pedro, Alfinete (Carlos Alexandre) - Técnico: César Fortes
Gols: Filipe (M), aos oito minutos, Cléber (M), aos 12 minutos, e Moreli (R), aos 26 minutos do primeiro tempo.
Cartões amarelos: Denner (M); João Pedro e Kadron (R).
Arbitragem: Ílton Marcos Alves de Souza, auxiliado por Cristiano Ivan Eckert e Jair Roberto Vieira.
Local: Estádio Miguel Waihrich Filho, em Júlio de Castilhos
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